Legal,
vou começar a escrever o artigo de uma corrida que mais coisas aconteceram ao
mesmo tempo, parecendo coisa de filme, a mais mal planejada, e numa fase onde têm
ocorrido grandes mudanças na minha vida, e também na vida de minha dupla.
Começando
pelo começo a Volta a Ilha é uma prova feita para equipes de 8 ou mais
corredores e amigos, correr ela em dupla é loucura, pois se tem apenas 15 horas
para percorrer 140 km nos mais diversos pisos, de asfalto a areia muito fofa,
em lugares onde se necessita de colocar a mão no chão para conseguir subir,
outros com o carinhoso apelido de morro maldito, ate a largada um trecho plano
de 7 km, no asfalto, ainda escuro.
Completamente
cabisbaixo, foi assim que sai da estrutura da prova, muado, cabeça baixa,
medalha no peito, assado, machucado, muito cansado, tentando achar aonde
poderia ter ganhado 15 min, ou porque não havia pensado nisso antes, como
aquilo poderia ter acontecido comigo. Havia chegado a um lugar vazio,
desmanchando as estruturas, aquilo eram 20 horas e 30 minutos, 15 minutos após
o fechamento oficial da prova.
Claro
que eu não daria conta desse recado, tinha que buscar o ultima trecho, plano,
de 6 km em 30 min, um pace de 5 min/km, para chegar a tempo, isso depois de
andar em uma moto, com um misero short de corrida, em um tempo frio por 15 min,
tudo duro, todo travado. Mas como não tentar se minha dupla também estava dando
sangue ao tentar fazer 15 km em apenas 1 hora e 20 minutos.
Mas
esse desespero só teve origem às 18h30min, pois havia chegado ao penúltimo
ponto de corte as 18h25min, 5 minutos antes dele fechar, minha dupla estava lá
descansado, enquanto eu acabara de completar o “trecho mais difícil”, como
assim define a organização da prova e os demais participantes, é algo do tipo,
subir 250 metros em 3 km, só! O resto são 4 km de subidas e descidas menores,
acrescenta-se uma descida de 2 km bastante forte, mais uns 300 metros de areia
fofa, os km de resto, ate inteirar 15 km são tranquilos, asfalto com descidas e
subidas leves, fácil. Isso tudo depois de ver um cara que teve 4 paradas
cardíacas em 30 minutos, e ter que ser resgatado pela policia rodoviária
federal, isso porque antes de sair o helicóptero decolando, me deu um banho de
areia, areia no meu corpo todo, que também estava todo suado, formou-se aquela
crosta.
Mas se
eu estava descansando alguém corria minha dupla, Rodrigo Vilalba, 2 trechos de
8 km em areia fofa, em praia desnivelada, corre-se de lado, dói o joelho só de
pensar. Mas isso só aconteceu porque ao trocar de trecho comigo, 16 km antes,
na breve conversa que tivemos, ele disse que havia pegado a nossa mochila na
Van de uns amigos, mas a mochila não estava na van, estava na cadeira laaaaa na
praia da Joaquina. Ao abrir a mochila vi que não era a nossa, era de outro
amigo, Carlos Soto. Ora se aquela não era a nossa, onde estava a nossa? Com
sorte no ultimo lugar que ha vi, na cadeira de praia, na praia da Joaquina, 15
km antes. E ao invés de ir para o PC seguinte eu tive de fazer uma viagem de
quase 01h15min na garupa de uma moto CG 125, haja bunda, por isso não consegui
chegar ao PC a tempo e o Rodrigo correu 2 trechos e eu o Morro Maldito. Por
sorte a mochila estava laaaaa, com nossos documentos, dinheiro, tênis, e
algumas coisas mais.
Vejam
bem, porque a mochila não estava na van e estava na cadeira? A nossa agua
estava acabando e corríamos mais devagar que o pessoal da van, então teríamos
que nos separar. No PC anterior tirei a mochila da van, comprei bastante agua. Tem
mais enquanto comprava a agua saiu 2 pasteis de queijos, novinhos, não resisti
e comi os dois. Se vou contar dos pasteis, vou contar que minutos antes, tomei
500 ml de garapa, geladinha, fresquinha, aproveitei e comprei para minha dupla.
Pura energia, afinal ele vinha de um trecho bem difícil, era o sol do meio-dia,
e já corríamos por 7 horas.
Rodrigo correndo
Mas não
vou contar mais trecho sobre trecho, vou logo para a largada, pois essa 1
metade da prova, correu tudo bem, os trechos eram mais fáceis e menores, logo
corríamos mais fortes e descansávamos menos, porque mesmo de moto, o transito
atrapalhava bem o transporte de um ponto a outro.
Largamos
as 05h00min, já bem cansados, mas pontualmente, e como tem acontecido, larguei
pesado, o corpo meio fora do lugar, é horrível os primeiros quilômetros. Eu
também estava bastante cansado, afinal acordei as 03h30min, uma hora e meia
depois de ter dormido, acordei cedo assim para conseguir tomar um banho, me
trocar, preparar a mochila para o dia que viria, tomar um café corrido e chegar
na largada as 04h30min, 30 minutos antes da largada, para pegar o chip. Mas eu
dormi tarde por outra razão, é claro né.
Meu sono foi sobre um colchonete de sofá, pois como tive que esperar o
Rodrigo, não tive como ir pra a republica aonde ficaria hospedado e contei com
a oferta de um amigo para dormi no chão de seu quarto. Dormi tarde, a vou mudar
de paragrafo para contar essa historia.
Então
era 01h45min da madrugada, quando o ônibus que saiu de Campinas as 09h30min da
manha, e passou por São Paulo às 11h30min, chegou um Florianópolis/SC. E eu
aguardava desde as 22h00min esse ônibus, estava morto de cansado, esperando naqueles
bancos de rodoviária que acabam com a gente, você escorrega, não apoia as
costas, só serve para ficar mal assentado. E eu naquela situação, não podia
sair de lá, porque o Rodrigo não sabia em qual hotel ficaria, não tinha
celular, e contava comigo na chegada da rodoviária. Não restou outra opção
senão esperar por quase 4 horas. Afinal a mãe dele e o irmão já haviam me
ligado dizendo que era para eu aguarda-lo. Mas ele foi de ônibus, do parador,
aquele que para em todas as rodoviárias ao longo dos 700 km do caminho, porque
não tinha passagem de avião a preço acessível, de ultima hora. Mas tanto ele,
quanto eu, já sabíamos da prova desde setembro, mas como a vida anda meio
atrapalhada, esqueceu-se de um detalhe um pouco obvio, chegar bem no local da
largada, antes de começar é claro, bem, e esqueceu-se de comprar a passagem
aérea, algo que consumiria 15 minutos de seu tempo, gastaria o ,mesmo que a
passagem de ônibus e a viagem seria apenas de 1 hora.
Rodoviária as 00:16
Mas não
poderia deixar de citar que também fizemos tudo em cima da hora, com os prazos
bem apertados, deve ser que e porque gostamos de sofrer. Foi uma corrida tão
mal planejada e desajustada, que nenhum dos dois sabia que trecho correriam
momentos antes da largada, não sabíamos qual o tempo limite para completar a
prova e nem sequer preparamos nossa estadia lá. O fato de não termos dormido, só
foi o resultado de tamanho desleixo com o planejamento e treinamento para uma
prova que não se pode errar, principalmente a dupla. Acusar um ou outro é a
solução, tampouco a causa do problema. Mas ficou uma lição correr ultras sem um
minimo de planejamento é o primeiro passo para o fracasso. E que não seja
ultras, mas uma maratona, meia, 10k, 5k, planejar o dia da prova alvo e
fundamental para que tudo de certo, mais que caso seja observado algum desvio,
saberá qual foi e a melhor forma de remediar. No nosso caso, não sabíamos nem
sequer qual trecho correríamos. Descobríamos a cada trecho o quanto correríamos
a distancia, dificuldade, se precisaríamos ou não de agua, tudo minutos antes
de correr, enquanto aguardávamos o outro.

Tá fera mesmo hein ! Parabéns ! :)
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