sexta-feira, 26 de abril de 2013

Volta a ilha !!!


                Legal, vou começar a escrever o artigo de uma corrida que mais coisas aconteceram ao mesmo tempo, parecendo coisa de filme, a mais mal planejada, e numa fase onde têm ocorrido grandes mudanças na minha vida, e também na vida de minha dupla.

                Começando pelo começo a Volta a Ilha é uma prova feita para equipes de 8 ou mais corredores e amigos, correr ela em dupla é loucura, pois se tem apenas 15 horas para percorrer 140 km nos mais diversos pisos, de asfalto a areia muito fofa, em lugares onde se necessita de colocar a mão no chão para conseguir subir, outros com o carinhoso apelido de morro maldito, ate a largada um trecho plano de 7 km, no asfalto, ainda escuro.

                Completamente cabisbaixo, foi assim que sai da estrutura da prova, muado, cabeça baixa, medalha no peito, assado, machucado, muito cansado, tentando achar aonde poderia ter ganhado 15 min, ou porque não havia pensado nisso antes, como aquilo poderia ter acontecido comigo. Havia chegado a um lugar vazio, desmanchando as estruturas, aquilo eram 20 horas e 30 minutos, 15 minutos após o fechamento oficial da prova.

                Claro que eu não daria conta desse recado, tinha que buscar o ultima trecho, plano, de 6 km em 30 min, um pace de 5 min/km, para chegar a tempo, isso depois de andar em uma moto, com um misero short de corrida, em um tempo frio por 15 min, tudo duro, todo travado. Mas como não tentar se minha dupla também estava dando sangue ao tentar fazer 15 km em apenas 1 hora e 20 minutos.

                Mas esse desespero só teve origem às 18h30min, pois havia chegado ao penúltimo ponto de corte as 18h25min, 5 minutos antes dele fechar, minha dupla estava lá descansado, enquanto eu acabara de completar o “trecho mais difícil”, como assim define a organização da prova e os demais participantes, é algo do tipo, subir 250 metros em 3 km, só! O resto são 4 km de subidas e descidas menores, acrescenta-se uma descida de 2 km bastante forte, mais uns 300 metros de areia fofa, os km de resto, ate inteirar 15 km são tranquilos, asfalto com descidas e subidas leves, fácil. Isso tudo depois de ver um cara que teve 4 paradas cardíacas em 30 minutos, e ter que ser resgatado pela policia rodoviária federal, isso porque antes de sair o helicóptero decolando, me deu um banho de areia, areia no meu corpo todo, que também estava todo suado, formou-se aquela crosta.

                Mas se eu estava descansando alguém corria minha dupla, Rodrigo Vilalba, 2 trechos de 8 km em areia fofa, em praia desnivelada, corre-se de lado, dói o joelho só de pensar. Mas isso só aconteceu porque ao trocar de trecho comigo, 16 km antes, na breve conversa que tivemos, ele disse que havia pegado a nossa mochila na Van de uns amigos, mas a mochila não estava na van, estava na cadeira laaaaa na praia da Joaquina. Ao abrir a mochila vi que não era a nossa, era de outro amigo, Carlos Soto. Ora se aquela não era a nossa, onde estava a nossa? Com sorte no ultimo lugar que ha vi, na cadeira de praia, na praia da Joaquina, 15 km antes. E ao invés de ir para o PC seguinte eu tive de fazer uma viagem de quase 01h15min na garupa de uma moto CG 125, haja bunda, por isso não consegui chegar ao PC a tempo e o Rodrigo correu 2 trechos e eu o Morro Maldito. Por sorte a mochila estava laaaaa, com nossos documentos, dinheiro, tênis, e algumas coisas mais.

                Vejam bem, porque a mochila não estava na van e estava na cadeira? A nossa agua estava acabando e corríamos mais devagar que o pessoal da van, então teríamos que nos separar. No PC anterior tirei a mochila da van, comprei bastante agua. Tem mais enquanto comprava a agua saiu 2 pasteis de queijos, novinhos, não resisti e comi os dois. Se vou contar dos pasteis, vou contar que minutos antes, tomei 500 ml de garapa, geladinha, fresquinha, aproveitei e comprei para minha dupla. Pura energia, afinal ele vinha de um trecho bem difícil, era o sol do meio-dia, e já corríamos por 7 horas.


Rodrigo correndo

           
                  Mas não vou contar mais trecho sobre trecho, vou logo para a largada, pois essa 1 metade da prova, correu tudo bem, os trechos eram mais fáceis e menores, logo corríamos mais fortes e descansávamos menos, porque mesmo de moto, o transito atrapalhava bem o transporte de um ponto a outro.


                Largamos as 05h00min, já bem cansados, mas pontualmente, e como tem acontecido, larguei pesado, o corpo meio fora do lugar, é horrível os primeiros quilômetros. Eu também estava bastante cansado, afinal acordei as 03h30min, uma hora e meia depois de ter dormido, acordei cedo assim para conseguir tomar um banho, me trocar, preparar a mochila para o dia que viria, tomar um café corrido e chegar na largada as 04h30min, 30 minutos antes da largada, para pegar o chip. Mas eu dormi tarde por outra razão, é claro né.  Meu sono foi sobre um colchonete de sofá, pois como tive que esperar o Rodrigo, não tive como ir pra a republica aonde ficaria hospedado e contei com a oferta de um amigo para dormi no chão de seu quarto. Dormi tarde, a vou mudar de paragrafo para contar essa historia.

                Então era 01h45min da madrugada, quando o ônibus que saiu de Campinas as 09h30min da manha, e passou por São Paulo às 11h30min, chegou um Florianópolis/SC. E eu aguardava desde as 22h00min esse ônibus, estava morto de cansado, esperando naqueles bancos de rodoviária que acabam com a gente, você escorrega, não apoia as costas, só serve para ficar mal assentado. E eu naquela situação, não podia sair de lá, porque o Rodrigo não sabia em qual hotel ficaria, não tinha celular, e contava comigo na chegada da rodoviária. Não restou outra opção senão esperar por quase 4 horas. Afinal a mãe dele e o irmão já haviam me ligado dizendo que era para eu aguarda-lo. Mas ele foi de ônibus, do parador, aquele que para em todas as rodoviárias ao longo dos 700 km do caminho, porque não tinha passagem de avião a preço acessível, de ultima hora. Mas tanto ele, quanto eu, já sabíamos da prova desde setembro, mas como a vida anda meio atrapalhada, esqueceu-se de um detalhe um pouco obvio, chegar bem no local da largada, antes de começar é claro, bem, e esqueceu-se de comprar a passagem aérea, algo que consumiria 15 minutos de seu tempo, gastaria o ,mesmo que a passagem de ônibus e a viagem seria apenas de 1 hora.

Rodoviária as 00:16

                Mas não poderia deixar de citar que também fizemos tudo em cima da hora, com os prazos bem apertados, deve ser que e porque gostamos de sofrer. Foi uma corrida tão mal planejada e desajustada, que nenhum dos dois sabia que trecho correriam momentos antes da largada, não sabíamos qual o tempo limite para completar a prova e nem sequer preparamos nossa estadia lá. O fato de não termos dormido, só foi o resultado de tamanho desleixo com o planejamento e treinamento para uma prova que não se pode errar, principalmente a dupla. Acusar um ou outro é a solução, tampouco a causa do problema. Mas ficou uma lição correr ultras sem um minimo de planejamento é o primeiro passo para o fracasso. E que não seja ultras, mas uma maratona, meia, 10k, 5k, planejar o dia da prova alvo e fundamental para que tudo de certo, mais que caso seja observado algum desvio, saberá qual foi e a melhor forma de remediar. No nosso caso, não sabíamos nem sequer qual trecho correríamos. Descobríamos a cada trecho o quanto correríamos a distancia, dificuldade, se precisaríamos ou não de agua, tudo minutos antes de correr, enquanto aguardávamos o outro.


A tal Medalha sofrida

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